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Geral >> Novidades > Painel debate rumos da medicina laboratorial
 
Com o objetivo de buscar o alinhamento de vários trabalhos, pesquisas e opiniões sobre o tema “Medicina laboratorial e segurança do paciente” foi realizado o painel “Repensando a medicina laboratorial – novos cenários”. O evento, que durou cerca de 4 horas, encerrou o 43º Congresso da SBPC/ML, na terça-feira, 18 de agosto.
 

Foram convidados cinco palestrantes que apresentaram diferentes pontos de vista sobre o tema: Alvaro Martins (presidente da SBPC/ML), Luiz Fernando Freesz (Secretaria de Saúde de Minas Gerais), Fábio Gastal (Unimed BH), Carlos Eduardo Gouvêa (CBDL) e Gonzalo Vecina Neto (Hospital Sírio Libanês).

O Painel foi moderado pelo coordenador Executivo do 43º Congresso e médico patologista clínico, Armando Fonseca (acima, à esquerda). No final das apresentações, cada palestrante respondeu a perguntas enviadas pela platéia e também fez perguntas a um dos outros participantes. No final, todos responderam a uma mesma questão formulada pelo moderador.


 

O presidente da SBPC/ML e médico patologista clínico, Alvaro Martins (à direita), falou sobre “A visão do SBPC/ML”. Ele explicou que no Brasil há 14 mil laboratórios clínicos, sendo que 9,5 mil são privados e 4,5 mil são da rede pública. “O laboratório clínico consome menos de 5% dos custos totais do atendimento à saúde e influencia entre 60% e 70% nas decisões críticas”, disse Martins.

No Brasil, os gastos com a saúde pública e a saúde privada, consomem 8,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, em 2008, 573.917.189 exames diagnósticos e foram gastos R$ 3.569.907.250,16.

O presidente da SBPC/ML disse que os laboratórios atuam com maior profissionalismo e maior preocupação com a segurança do paciente. Além disso, as empresas têm revisado sua área científica, a qualidade de seu trabalho e as evidências de um exame.

Martins disse que os laboratórios também se preocupam com a regulação dos empregados porque o setor trabalham com múltiplas carreiras, como médicos, farmacêuticos-bioquímicos, biomédicos e biólogos, entre outros.

Hoje em dia, o paciente não se limita a aceitar o que o médico determina. Ele quer saber mais sobre os exames que são indicados, como "por que fazer o exame?",  "se eu não fizer o exame, o que pode acontecer?"; "como eu me preparo para o exame?“, entre outras.

Para conseguir melhorias no sistema de saúde é importante contar com a adesão do paciente. "Nos Estados Unidos, por exemplo, a sobrevida do câncer de mama aumentou drasticamente com a realização de mamografias periódicas", disse Martins.

Segundo o presidente da SBPC/ML, o Brasil precisa ampliar o acesso da população às novas tecnologias na área da saúde, validar as novas metodologias, manter uma capacitação profissional contínua. Também é necessário fazer adaptações à cultura local, investir na coleta de dados e na fiscalização com sentido educativo, pensando nos pacientes e em sua segurança. “Os laboratórios que não trabalharem com segurança, estarão fora do mercado”, enfatizou.


 

Redes de laboratórios
O farmacêutico-bioquímico Luiz Fernando Freesz (à esquerda), consultor da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e idealizador do Programa de Rede de Apoio a Diagnóstico, apresentou como o Governo do estado procura resolver a questão de segurança laboratorial.

Segundo Freesz, houve uma inovação na experiência de laboratórios microrregionais no estado. “A situação atual dos serviços de patologia clínica em algumas cidades não atende perfeitamente os pacientes. Por este motivo, criamos esse programa que visa a otimização nos laboratórios clínicos. Técnicas manuais ainda são utilizadas”.

O palestrante disse que está sendo implantado um novo modelo nas cidades menores. “Buscamos mudar a estrutura nas redes de atenção á saúde”.

Minas Gerais possui 853 municípios. Destes, cerca de 700 têm menos de 20 mil habitantes e necessitam de apoio no atendimento laboratorial. Por isso, o estado foi dividido em microrregiões que são interligadas em uma grande rede, denominada "macrorregional", com um laboratório de referência.

"Há uma proposta de organização da rede, inclusive a de apoio. Desta forma, uma rede de assistência laboratorial de uma microrregião estará ligada a uma macrorregião. Faremos parceria com laboratórios de grande porte que irão oferecer gestão, profissionais e experiência. Um resultado poderá ser entregue em menos de 48 horas, se a técnica permitir”, explicou.


 

O terceiro palestrante (à direita) foi o médico e assessor de desenvolvimento da Unimed de Belo Horizonte (cooperativa médica) Fábio Leite Gastal. Ele falou sobre  o ponto de vista da saúde suplementar. Para ele, deve-se analisar o Brasil, inclusive na área de saúde pública, antes e depois da Constituição Federal de 1988.

Gastal apresentou dados da Unimed-BH em relação ao atendimento ao paciente. Ele afirmou que a qualidade, seja no sistema público ou no privado, requer uma atenção segura em termos mensuráveis, do mais elevado padrão, baseado em tendências e com utilização apropriada de técnicas.

“A reforma no sistema de saúde deve buscar novas estratégias e acompanhar as tendências internacionais. Assim haverá a contribuição na qualidade da vida do paciente”, disse.


 

Desafios
Unir os elos da cadeia da saúde em prol do paciente, harmonizar a legislação vigente em concordância com as normas internacionais e adequar a infra-estrutura, visando reduzir os custos, desperdícios e desvios dos sistemas. Esses são os desafios colocados pelo secretário-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Eduardo Gouvêa (à esquerda), durante sua apresentação “Repensando a medicina laboratorial – uma visão da indústria diagnóstica”.
Na opinião dele, a saúde no país evoluirá se cada Real investido no setor de saúde for revertido em valor para o usuário.

Gouvêa mostrou um panorama da indústria diagnóstica no Brasil, com informações sobre um crescimento do setor privado de medicina laboratorial sobre o público nos últimos anos. “De 1995 a 2007, o consumo de produtos de diagnósticos por parte do segmento público caiu 20,45%”, explicou.

Em sua apresentação, o secretário-executivo da CBDL disse que o setor tem crescido e evoluído, mas convive com concorrência acirrada, modelos comerciais ultrapassados (como o comodato), tem demandas crescentes de despesas excepcionais e está concentrado em poucas empresas. Um exemplo disso é que a CBDL possui 40 associados que são responsáveis por 70% do mercado brasileiro.

Gouvêa acredita que o mercado da indústria diagnóstica ainda tem muito a crescer no país e isso ocorrerá com o crescente investimento na saúde por parte dos brasileiros. “No Brasil, são gastos, em média, entre US$ 300 e US$ 1 mil por pessoa/ano com saúde. Em países desenvolvidos, esse valor é cerca de US$ 5 mil. O que precisamos é ser mais eficientes, reduzir custos, priorizar investimentos e ter uma área regulatória adequada”, acrescentou.


 

Relação público/privado
Pensar no que fazemos e o que precisa ser feito. Este foi o questionamento colocado pelo médico e superintendente do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, Gonzalo Vecina Neto (à direita), durante a apresentação “Uma visão alternativa para a publicização da assistência médica no Brasil".

Vecina criticou a maneira como o sistema de saúde é percebido no país atualmente. Ele disse que o SUS responde por 75% dos atendimentos e a saúde suplementar apenas por 25%. “Isso não se pode chamar de suplementar. Somente complementa o segmento público. Esse índice é muito pequeno. Precisamos criar um novo modelo”.

Na opinião do superintendente do Sírio-Libanês, é preciso reavaliar o que é privado, público e estatal para melhorar o atendimento de saúde à população brasileira. Para Vecina, o segmento privado deve ajudar o público para melhorar os seus custos, facilitar o acesso e ampliar a qualidade, que são, atualmente, os principais desafios para se obter um sistema adequado de saúde no País.

O médico lembra que esses desafios são cada vez mais crescentes com a mudança na demografia, envelhecimento da população, queda da natalidade, aumento da urbanização, reaparecimento de velhas doenças, como tuberculose, dengue e leishmaniose, entre outras.
“São fatores que exigem uma infra-estrutura cada vez melhor da área da saúde. Todas essas alterações demandam por um sistema de atendimento cada vez melhor ao paciente”, explica.


 
Perguntas
Na segunda parte do Painel os palestrantes responderam a perguntas enviadas pela platéia. Todas eram entregues a uma comissão (à esquerda) que selecionava as perguntas recebidas para escolher as que estavam mais relacionadas ao tema do Painel, eram mais objetivas, eliminar as repetidas ou fundir duas ou mais que tratavam do mesmo assunto.

A comissão era formada pelos médicos patologistas clínicos Eliane Rosseto, Flávio Paes e Alcântara, Flavo Beno Fernandes e Gustavo Campana e pelo jornalista da SBPC/ML Roberto Duarte.
No final do Painel, Armando Fonseca fez uma mesma pergunta a todos os participantes.
As perguntas avaliadas pela comissão como sendo de interesse, mas que não foram respondidas no Painel por falta de tempo, foram enviadas aos palestrantes e estarão no site da SBPC/ML (www.sbpc.org.br) a partir de meados de setembro.

Fotos: Felipe Christ/Fotonotícias
 
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