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Geral >> Novidades > Fórum debate mercado de medicina diagnóstica no Brasil
 

A manhã do sábado, 5 de julho, último dia do 42º Congresso da SBPC/ML, foi dedicada ao Fórum do Mercado de Medicina Diagnóstica no Brasil. Participaram representantes de laboratórios com diferentes modelos de negócio e de fornecedores de insumos.


 

Na abertura do fórum, o coordenador executivo do congresso, Armando Fonseca, fez um resumo da situação do mercado de saúde. Em seguida, ele sorteou a ordem dos palestrantes que deveriam se apresentar.


 

O primeiro palestrante foi o economista Claudio Marote, da UN Diagnósticos, do grupo Medial Saúde. Ele explicou que a operadora é uma empresa de capital aberto, possui 52 centros médicos, 1,4 mil clientes, que hoje está pronta para crescer nos chamados planos básicos, onde há uma grande demanda reprimida, mas isso requer custos baixos. Durante sua apresentação, Marote procurou traçar um histórico da empresa, hoje calcada no modelo verticalizado e otimização dos recursos do sistema. Os mesmos conceitos se aplicam a UN Diagnósticos, que conta com um quadro de 100 médicos e atua nas cidades de São Paulo, Brasília e Recife.


 

O administrador de empresa e diretor-executivo do Lab Rede, Antônio Neves Barbosa, falou do modelo de associativismo. Criada em 2000, a Lab Rede é uma empresa de capital fechado, com 140 associados e hoje presente em 11 estados. Uma das preocupações da Lab Rede, disse Barbosa, é ser eficiente e competitiva, mas sem deixar de partilhar seu conhecimento com a sociedade - o que denominou de transferência de conhecimento -, inclusive valorizando trabalhos científicos de seus colaboradores. 


 

O terceiro palestrante, o médico Luiz Gastão Rosenfeld, explicou a forma de atuação da Diagnósticos da América S/A (DASA), Sociedade Anônima de capital aberto que tem feito constantes aquisições no mercado de medicina diagnóstica. Vice-presidente médico do DASA, Rosenfeld explicou as premissas de trabalho e as formas de sustentabilidade e crescimento da empresa, que hoje tem 313 unidades de atendimento. Ele considera que o mercado brasileiro tem potencial de crescimento maior do que os EUA e a Europa. Segundo Rosenfeld, hoje 80% das decisões tomadas pelos médicos envolvem exames laboratoriais, o que dá uma idéia da dimensão do setor.


 

Médico e presidente do Grupo Fleury Medicina e Saúde, Mauro Figueiredo também apresentou um breve histórico da empresa a partir de 1926, quando foi montado o primeiro laboratório. Hoje, trata-se de uma organização que adota o modelo de Sociedade Anônima de capital fechado. Ao longo dos anos, explicou Figueiredo, a empresa foi diversificando sua área de atuação e administra, atualmente, 16 diferentes marcas, tem 700 médicos e chega a realizar em média 25 milhões de exames ao ano.


 

O presidente-executivo do Instituto H. Pardini, com sede em Belo Horizonte (estado de Minas Gerais), Vitor Sérgio Couto dos Santos, explicou como a empresa, fundada em 1959 pelo médico Hermes Pardini, conseguiu com rara competência se manter no setor. Com 26 unidades na região metropolitana de Belo Horizonte, ela se encontra em processo de transformação para se adaptar aos novos tempos. Santos foi enfático ao dizer que o H. Pardini não é apenas um projeto financeiro, mas uma empresa transformadora.


 

O último palestrante desenvolveu um tema mais amplo, com o título “Estabelecendo novos paradigmas: competição baseada em valor". Secretário-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Eduardo Gouvêa apresentou a análise de uma cadeia composta por 5 mil empresas e um faturamento de R$ 18 bilhões. Ele avaliou que o antigo cenário de concorrência desenfreada hoje está mais organizado, mas todos devem saber enfrentar riscos. O principal deles, disse Gouvêa, é representado pelos custos galopantes. Ele defende uma competição baseada sobretudo em valores. “Devemos repensar a saúde, pensar no paciente e não apenas no lucro”, disse.


 

Debate
A segunda parte do Fórum foi um debate mediado pelo jornalista Sidney Rezende, âncora da rádio CBN e apresentador de telejornais na TV Globo e Globo News. A maioria das perguntas foi sobre fusão e credibilidade dos laboratórios clínicos, acreditação, consolidação da indústria diagnóstica e repasse de custos.


 

À questão sobre a relação entre a consolidação do segmento de insumos e diminuição da competitividade do setor, Carlos Eduardo Gouvêa ressaltou que essa realidade implica em algumas vantagens como uma competição forçada em busca de qualidade, pesquisa e produtividade.

"O que não pode acontecer é uma competição desenfreada porque é algo sustentável e o sistema de saúde como um todo não ganha. O que é importante é sair da discussão só de custos para a de valor do paciente", disse o secretário-executivo da CBDL.

Gouvêa também respondeu a pergunta sobre qual a razão de não haver alteração de custo para os laboratórios quando há queda do dólar, como quando ocorreu em 2005. “No custo de uma empresa da área diagnóstica, a oferta é muito complexa, não se restringe só ao produto”, justificou. “Todas as empresas em geral  atuam no mercado público e privado. Há uma realidade diferente na evolução cambial e as empresas acabam adequando seus preços ao mercado acionando a concorrência."

Ele ressaltou ainda que ao longo dos anos têm havido negociações. Em sua opinião não deve se limitar a negociação pontual e sim, olhar para o futuro. Também foram questionados os preços "astronômicos" de insumos. Segundo Gouvêa, muitas vezes é preciso incorporar o custo de uma nova tecnologia à pesquisa. No entanto, a tendência é de amortização dos preços. "Eles chegam altos, mas a velocidade de sua redução tem sido grande", explicou.

Fusões
Perguntas da platéia questionaram as implicações das fusões de laboratórios. Perguntaram a Mauro Figueiredo se mudou o discurso dos donos do laboratório Fleury, que afirmavam, por ocasião da incorporação do NKB, sua preocupação em preservar a permanência dos ex-proprietários dos laboratórios que formaram o grupo.

Figueiredo respondeu que, na evolução do processo, houve muitas mudanças. "Não há determinação de que uma vez adquiridas, haja a permanência dos antigos donos, nem o oposto. Se as pessoas têm competência para a área que ocupam, podem ficar. Em nossas últimas aquisições, alguns optaram por ficar, outros não. Tem que haver competência reconhecida", explicou o presidente do Grupo Fleury.

Para Luiz Gastão Rosenfeld foi perguntado como o DASA trabalha com o setor público, através da marca Científica Lab, que é corresponde a um modelo diferente do modelo dos outros setores da empresa. "Há um desempenho especial de coleta em operação que tem o mesmo nível de atendimento da área privada", disse o vice-presidente médico do DASA.

Para Claudio Marote foi perguntado se havia garantia de confidencialidade dos dados dos pacientes, coletados pela UN Diagnósticos, que pertence à operadora Medial Saúdes. "Não há nenhum conflito. O funcionamento quanto à confidencialidade de informação é igual à de qualquer outro prestador", disse.

Solicitado a falar mais sobre associativismo, Antonio Neves Barbosa, da Lab Rede, frisou que esse modelo não difere muito do corporativismo. Segundo ele, o retorno da empresa para os associados se traduz no apoio dado com transferência de conhecimentos e exames com custos mais baixos. "Estrategicamente, antecipamos os resultados através da diminuição dos custos dos exames", explicou.

Santos ressaltou que o Instituto H.Pardini não pretende ser vendido, embora tenha recebido propostas. Sua área de atuação continua sendo regional. Embora reconheça a capacidade do setor quanto à expansão no exterior. Em sua opinião, o setor deve se expandir primeiramente no mercado brasileiro.

Fotos: Lizimar Dahlke


 
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